#ComoAssim é um podcast do PÚBLICO sobre fenómenos da cultura pop e das redes sociais. A jornalista Inês Rocha desconstrói as nossas obsessões colectivas, para perceber o que está por trás daquilo de que “toda a gente fala”.
Um podcast sobre tendências digitais, comportamento online, viralidade, cultura da internet e o impacto das plataformas na forma como vivemos, pensamos e sentimos.
Publicado quinzenalmente às quartas-feiras.
Episódios
Ascender. Mogging. Mewing.
Durante anos, estas palavras circularam em comunidades fechadas da internet. Hoje, aparecem em vídeos virais no TikTok e no Instagram — ao lado de conselhos de ginásio e rotinas de “auto-desenvolvimento”.
Chamam-lhe looksmaxxing: a ideia de que qualquer homem pode melhorar a sua vida, o seu estatuto e as suas relações, se conseguir melhorar a aparência.
À primeira vista, parece apenas mais uma versão do velho discurso do “investe em ti próprio”. Mas rapidamente escala para algo diferente. Há vídeos a ensinar a injectar substâncias sem supervisão médica, a consumir estimulantes para perder peso ou até a martelar ossos da cara para mudar o formato do maxilar.
Para o cirurgião plástico Rúben Malcata Nogueira, este tipo de práticas não resiste a qualquer validação clínica. No consultório, diz, já se vêem as consequências de outras modas vindas das redes sociais. “Quando avançamos com uma cirurgia, estamos a fazer uma alteração definitiva. Não é algo que se possa testar como uma moda”, explica.
O rosto mais visível deste fenómeno é Clavicular, um jovem norte-americano que transformou estes métodos numa espécie de manual. Mostra resultados, vende programas e apresenta-se como prova de que o método funciona.
Clavicular não tem uma base de seguidores muito diferente de muitos outros criadores. Ainda assim, parece estar em todo o lado — nas redes sociais, na imprensa internacional, no feed de quem nunca o procurou.
Há centenas de milhares de vídeos associados ao seu nome a circular online e, juntos, acumulam milhares de milhões de visualizações.
A sensação de omnipresença não é acidental. E ajuda a explicar como uma subcultura que nasceu em fóruns marginais se tornou, em poucos meses, parte do conteúdo que chega a milhões de jovens.
Para Tiago Rolino, que tem investigado diferentes masculinidades no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o “looksmaxxing” não cria uma nova masculinidade. Amplifica uma antiga: competitiva, hierárquica, centrada na comparação entre homens.
Neste episódio do podcast Como Assim, mergulhamos no fenómeno do “looksmaxxing” e procuramos perceber que impacto pode estar a ter nos nossos jovens.
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Em 2025, a história de Rumi, Mira e Zoey — um trio fictício que utiliza a energia dos seus fãs para alimentar uma barreira mágica contra demónios — deixou de ser apenas um sucesso de streaming para se tornar um fenómeno cultural sem precedentes. Em apenas dois meses, tornou-se o filme mais visto da história da Netflix e foi recentemente consagrado com dois Óscares.
O impacto deste sucesso já se sente em Portugal, onde concertos de tributo esgotaram salas de espectáculo de norte a sul. Em Águeda, na estreia do concerto “A Batalha do K-Pop”, centenas de crianças e adolescentes de tranças roxas e fatos dourados cantaram as letras de cor, demonstrando que as personagens de animação são tratadas como verdadeiros ídolos de carne e osso.
Não são apenas sessões para crianças: são eventos familiares, com merchandising oficial, coreografias replicadas ao detalhe e momentos de histeria colectiva quando soa “Golden”, a canção que este ano arrecadou o Óscar de Melhor Canção Original e que quebrou recordes ao ficar 43 semanas no topo norte-americano da Billboard.
O sucesso surpreendeu até quem o fez. A Sony Pictures Animation investiu cerca de 100 milhões de dólares no projecto, mas acabou por vender os direitos à Netflix numa altura em que os cinemas estavam vazios, em plena pandemia. Resultado: passou a galinha dos ovos de ouro à concorrente e arrecadou apenas 20 milhões de dólares com o projecto.
Mas “como assim”?
Como é que um filme de animação baseado na cultura coreana se tornou um sucesso tão grande no mercado ocidental? Neste episódio, dissecamos o caso das guerreiras do K-Pop e tentamos perceber como o filme conseguiu romper o nicho e chegar ao mainstream no Ocidente. Mas também como encaixa numa estratégia mais ampla de soft power da Coreia do Sul, que há décadas usa o K‑Pop, os dramas televisivos, o cinema e até a gastronomia para exportar a sua identidade cultural e transformar entretenimento em influência global.
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Abel começou a apostar em resultados de jogos de futebol de forma absolutamente banal: aproveitou um bónus de boas-vindas de uma casa de apostas e apostou numa brincadeira entre amigos. A coisa correu bem. A certa altura, houve uma “fezada”. Uma sorte de principiante que deu um prémio avultado.
Normalmente, é assim que tudo começa. O ganho fica gravado no cérebro: nunca mais é esquecido.
A partir daí, para alguns, as apostas deixam de ser só lazer. Depois dos ganhos, vêm as perdas. O jogador passa a apostar para recuperar, para resolver os problemas que o próprio jogo criou.
As histórias dos jogadores patológicas são normalmente muito parecidas. Mas há um factor menos conhecido neste percurso: o papel das casas de apostas na perda do controlo.
Em Portugal, o jogo online é um mercado regulado. A lei obriga os operadores a promover o jogo responsável e a sinalizar comportamentos de risco. Mas os relatos mostram outro padrão: quando os gastos disparam, nem sempre surgem travões. Às vezes, surgem incentivos.
Estatutos VIP, gestores de conta, convites para camarotes, cabazes, dispositivos electrónicos. E sobretudo bónus.
Como em qualquer sector comercial, é normal que existam estratégias de fidelização. Nos casinos físicos, o tratamento personalizado é uma prática comum. Isso não é um problema quando estamos a falar de clientes com comportamentos de jogo saudáveis.
Mas, segundo os jogadores que ouvimos, por vezes estes incentivos aparecem nos momentos mais frágeis: depois de perdas grandes, durante pausas por exaustão, ou quando já não há mais dinheiro para jogar.
O que acontece, então, quando este tipo de estratégias é aplicado a pessoas que já estão a jogar compulsivamente?
Neste episódio do podcast Como Assim, falamos com a psiquiatra Inês Homem de Melo, o jurista Luís Pisco, da Deco, com o advogado Filipe Mayer sobre os limites da lei, sobre o que é obrigatório e o que fica em zonas cinzentas. Ouvimos também a APAJO, a associação que reúne alguns dos operadores licenciados em Portugal.
Mas há um mercado onde nada disto se aplica: o mercado ilegal do jogo online. Plataformas sem licença, sem deveres de protecção ao jogador, onde a auto-exclusão é dificultada e o contacto é constante. Segundo os jogadores que ouvimos, é muitas vezes depois de sair do mercado legal que os jogadores passam a ser abordados por estes sites.
É aqui que entram os influencers. Ex‑participantes de reality shows, criadores de conteúdos e figuras com grande alcance nas redes sociais continuam a promover estes casinos ilegais, muitas vezes de forma dissimulada, através de códigos, links ou stories pagos.
No último episódio, concluímos que as apostas online estão por todo o lado; agora, olhamos para todo este circuito: do mercado regulado aos contextos em que a recaída é activamente incentivada.
Nota: duas das vozes que ouvimos neste episódio foram recriadas com recurso a inteligência artificial, para proteger a identidade das pessoas entrevistadas.
Se este tema te é difícil, ou se reconheces sinais de jogo problemático em ti ou em alguém próximo, a ajuda existe.
A APAJO disponibiliza uma linha de apoio com psicólogos especializados, todos os dias entre as 16h e as 20h.
Os Jogadores Anónimos têm reuniões regulares, presenciais e online. Pedir ajuda pode ser o primeiro passo para sair do ciclo.
Se estiveres a atravessar uma crise emocional grave ou pensamentos suicidas, podes ligar gratuitamente para o SNS 24 (808 24 24 24), opção de apoio psicológico, ou procurar ajuda imediata ligando para o 112.
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No final da última década, apostar deixou de significar ir ao casino, escolher uma slot machine ou sentar‑se à mesa a jogar cartas. Hoje, basta um telemóvel, um tablet, um relógio digital.
Do futebol às criptomoedas, das loot boxes nos videojogos aos mercados de previsão, o acto de apostar entrou em quase todas as esferas da cultura digital — mesmo que não lhe chamemos “jogo”.
Mas que fenómeno é este que transforma videojogos, mercados, eleições e tendências num mesmo circuito de risco e recompensa, alimentado por figuras públicas, equipas desportivas e plataformas online? E que efeito tem tudo isto numa geração que cresce com notificações constantes e promessas de ganhos imediatos?
Neste episódio do podcast Como Assim, mergulhamos num fenómeno que se tornou quase omnipresente e já há uma expressão para isso: a “gamblificação” da sociedade — e procuramos perceber o impacto que isso está a ter na cultura, no desporto e na saúde pública.
A psiquiatra Inês Homem de Melo, especialista em comportamentos aditivos, explica que a acessibilidade é meio caminho andado para o vício: quando a “droga de eleição” está sempre no bolso, a barreira à experimentação desaparece.
O psicólogo Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, tem visto a idade dos apostadores que lhe aparecem no consultório diminuir a olhos vistos. Muitos começaram nos videojogos e acabam a apostar nos mercados financeiros.
Entretanto, entre 2020 e 2025, as receitas brutas do jogo online cresceram 258%, de 336,4 milhões para 1206 milhões de euros. O maior crescimento foi nos jogos de sorte e azar, que registaram uma subida de 334%; mas as apostas desportivas também subiram significativamente (178%). E a ligação entre casas de apostas e clubes tornou‑se tão profunda que, hoje, treze das 18 equipas da primeira liga exibem casas de apostas na frente da camisola; as restantes na manga.
Para o investigador Marcelo Moriconi, do ISCTE, esta simbiose está a transformar a forma como consumimos desporto: “é muito difícil consumir desporto sem receber incentivos para apostar”, diz.
No final, a pergunta inevitável é: onde fica a regulação no meio disto tudo? É possível e vale a pena regular? E como podemos fazê-lo?
Neste episódio ouvimos também Bernardo Neves, secretário-geral da APAJO - Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, e Luís Pisco, jurista da Deco.
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No final de 2025, uma série canadiana de baixo orçamento tornou-se inesperadamente o assunto do momento em todo o mundo: Heated Rivalry acompanha a relação secreta entre dois jogadores de hóquei no gelo, rivais dentro do ringue, mas profundamente atraídos um pelo outro.
A conversa começou por estar confinada ao BookTok. A série é uma adaptação ao pequeno ecrã de um romance popular no nicho de leitores do Tiktok – "Game Changers", de Rachel Reid. Mas rapidamente chegou a um público bem mais vasto: em poucas semanas, tornou-se a produção externa à HBO Max mais vista de sempre na plataforma.
À primeira vista, a explicação parece simples: as cenas sexuais, que a série não se coíbe de mostrar e que são parte integrante da narrativa, e o lado “estético” do elenco. Como nota Manuel Oliveira, influenciador LGBT+: “a parte estética, ou seja, os três homens principais da série são extremamente lindos morrer, e isso como é óbvio que mexeu com a série”.
Mas ainda que relevantes, esses factores não explicam o impacto emocional que Heated Rivalry teve nos fãs, e em particular no público feminino.
O que verdadeiramente prendeu as pessoas foi a relação entre os protagonistas: comunicada, vulnerável e construída de igual para igual. Daniela Saltão, tiktoker de moda e beleza, mas também apaixonada por livros e séries, diz que foi a vulnerabilidade emocional das personagens que a prendeu – nos romances mais tradicionais entre um homem e uma mulher “acabamos sempre só por ver o lado da mulher mais vulnerável”, diz.
Uma leitura partilhada também por Manuel Oliveira. Para o influencer, ver uma relação entre homens retratada com afecto, cuidado e diálogo — sem estereótipos, sem violência emocional, sem a habitual carga trágica — foi particularmente marcante. “Eu precisava desta série”, diz. Depois de décadas em que grande parte das narrativas queer foi “pesada e triste”, reflectindo histórias de perseguição e perda, foi reconfortante perceber que “conseguimos rever‑nos também na felicidade, no amor, na beleza”.
Mas porquê agora? O que explica o sucesso de Heated Rivalry no momento cultural que vivemos? Neste episódio de Como Assim, conversamos com fãs e também com a jornalista Joana Amaral Cardoso, que acompanhou o fenómeno de perto e entrevistou o criador da série, Jacob Tierney, para perceber como uma história aparentemente de nicho acabou a unir públicos tão distintos.
Tudo começou com uma simples fotografia: em Abril de 2024, Lisa, do grupo de KPop BLACKPINK, publicou uma imagem no Instagram com um Labubu pendurado na mala.
Bastaram algumas horas para as pesquisas dispararem em vários países e o site da chinesa Pop Mart cair.
O que aconteceu a seguir repete um padrão que já descrevemos no último episódio de #ComoAssim: perante um produto escasso e exclusivo, ninguém quis ficar de fora. Todos correram a comprá-lo e a fazer a sua versão de “unboxing” para as redes sociais.
Com uma particularidade: no caso dos Labubus, ninguém sabia exactamente o que estava a comprar. É que os produtos da Pop Mart vêm em “caixas surpresa” – o que as torna pequenas máquinas de dopamina. Tudo isto faz parte do espectáculo e contribui para incentivar as compras por impulso.
Mas como acontece sempre neste género de modas, o entusiasmo tem um prazo de validade: tão rápido como apareceu, em pouco mais de meio ano, a moda dos Labubus morreu.
Nada disto é surpreendente: o ciclo das tendências está cada vez mais rápido e intenso. Mas a explosão e queda dos Labubus em 2025 mostra-nos uma mudança mais profunda a acontecer na maneira como consumimos.
Para percebermos que mudança é essa, temos de olhar para a China, onde o casamento entre entretenimento e comércio já funciona há anos. É esse modelo, o chamado “social commerce” – comércio feito dentro das redes sociais – que o Tiktok está a tentar implementar no ocidente.
Neste episódio de #ComoAssim, conversamos com um dos primeiros portugueses a aderir à moda dos Labubus, Ricardo Lourenço, e com alguém que viu na moda uma oportunidade de negócio, Jéssica Machado. Ouvimos ainda Samuel Lins, professor de psicologia do consumo, e Vivianne Varella, uma especialista em e-commerce bem atenta à realidade chinesa.
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Não é japonês. Não é cheesecake. E, ainda assim, o "cheesecake japonês" tornou‑se uma das sobremesas mais partilhadas nas redes sociais no início de 2026. Bastam dois ingredientes – iogurte natural e bolachas – para fazer uma receita tão simples quanto improvável que se tornou rapidamente uma obsessão colectiva e teve impacto nas prateleiras dos supermercados.
Não é a primeira vez que acontece nem será a última. De repente, todos parecem estar a provar a mesma sobremesa, a discutir a sua origem e a partilhar vídeos em série. O nome varia, a apresentação também, mas o padrão repete‑se.
Aconteceu com o “morango do amor”, que encheu as pastelarias no último Verão e aconteceu com o chocolate do Dubai, que desencadeou uma verdadeira corrida ao luxo acessível e levou a uma escassez global de pistáchios.
Mas “como assim”? O que explica a sucessão de receitas virais, que tão rápido como nos bombardeiam os feeds, desaparecem?
Para nos ajudar a perceber tudo isto, convidámos o chef Miguel Mesquita, a especialista em marketing Márcia Maurer Herter e o psicólogo Samuel Lins, que ajudam a perceber como se cria - e como se desfaz - uma tendência digital.
E aproveitámos para provar o “cheesecake japonês” e o morango do amor: afinal, o que têm de tão especial?
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Quando os NAPA ganharam o Festival da Canção, em 2025, a vitória não foi consensual - "Deslocado" ficou em quarto lugar na votação do júri e em segundo no televoto. Na Eurovisão, foram arrasados nas casas de apostas, que colocavam a banda na zona de eliminação, muitas vezes no penúltimo ou último lugar da primeira semifinal.
Ainda assim, os madeirenses contrariaram as previsões, passaram à final e arrecadaram o 21.º lugar. Mas o que ninguém imaginava na altura é que a história da canção ainda estava no início: meses depois, se contasse o número de audições no Spotify, "Deslocado" teria arrecadado o segundo lugar no festival.
Hoje, a canção soma mais de 100 milhões de audições no Spotify, tornou-se a música portuguesa mais ouvida de sempre na plataforma, até à semana passada tinha o triplo das audições de "Amar pelos Dois" (entretanto retirada da plataforma por Salvador Sobral) e circula nas redes muito para lá do contexto da Eurovisão. No TikTok, “Deslocado” é usada em vídeos sobre saudade, casa e distância - em português e noutras línguas. A canção chegou ao top das músicas virais no Spotify Brasil e passou a ser ouvida em cidades como São Paulo ou Jacarta.
Mas a canção dos NAPA nunca foi pensada para funcionar nas redes. “Deslocado” não é curta, não é repetitiva, não tem um momento viral óbvio. Pelo contrário, tem uma estrutura pouco convencional e uma progressão quase narrativa. “Na teoria, esta música não devia funcionar”, resume o produtor Ben Monteiro.
O que explica, então, o enorme sucesso que a canção teve e continua a ter? É sobre isso que conversamos neste #ComoAssim, com o vocalista dos NAPA, Guilherme Gomes, o produtor e músico Ben Monteiro e também com os mais entendidos: os fãs dos NAPA.
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Em outubro de 2025, mais de quatro mil pessoas cantaram em uníssono a canção “Pôr do Sol” no Super Bock Arena, no Porto. Mas aquilo que, para qualquer banda, seria o culminar de uma carreira longa, para os Vizinhos era apenas o princípio de algo que tinha começado menos de um ano antes: um desafio de criar uma banda do zero, até encher o Coliseu.
O fenómeno começou à mesa, num jantar de amigos, e cresceu com a intensidade que hoje caracteriza as redes sociais. Os quatro músicos de Évora documentaram cada etapa do projeto no TikTok e Instagram: os ensaios, a criação das primeiras músicas, as dúvidas, as decisões estéticas, os erros e os triunfos. Não era apenas um diário de bastidores, mas uma narrativa a ser consumida e comentada em tempo real.
A primeira canção da banda, “Pôr do Sol”, rapidamente se libertou das fronteiras das redes sociais e ganhou estatuto de êxito do Verão. Conquistou o galardão de tripla platina, com mais de 19 milhões de audições no Spotify e outras 12 milhões no Youtube. Passa nas maiores rádios nacionais e encheu recintos de dezenas de festivais e festas de Verão.
A frase que mais entrou no ouvido - “Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior” - tornou-se um símbolo de orgulho regional e ajudou a definir a identidade da banda, numa altura em que a música alentejana ganhou uma nova vida junto dos mais jovens.
O desafio está, em parte, cumprido: a banda já tem Coliseus anunciados. Mas fica a pergunta: como assim? Como é que os Vizinhos conseguiram chegar aqui tão rápido e o que é que a estratégia que usaram nos ensina sobre a forma como consumimos música no tempo do TikTok?
No arranque da terceira temporada do podcast #ComoAssim, conversamos com os Vizinhos, com o manager e também vocalista dos Átoa, João Direitinho, e ainda com um produtor musical habituado a lidar com redes sociais, Ben Monteiro.
2025 terminou e, com ele, desapareceram modas que dominaram conversas, redes sociais e hábitos de consumo. Algumas duraram semanas, outras meses, mas todas tiveram algo em comum: a sensação de que era impossível escapar-lhes.
Das músicas em “repeat” constante aos filmes omnipresentes, passando por bonecos inesperadamente populares ou doces que se tornaram virais, estas tendências dizem muito sobre a forma como consumimos cultura na era digital — rápida, intensa e, muitas vezes, efémera.
Em 2026, o Como Assim propõe-se a olhar para essas obsessões colectivas, tanto para as que marcaram o passado recente como para as que estão a emergir agora. O objectivo é simples: perceber de onde vêm, porque se espalham tão depressa e o que revelam sobre nós.
A terceira temporada chega também com uma mudança: para garantir que nada escapa ao radar e que os episódios não desaparecem tão depressa como as modas da internet, o Como Assim passa a ter uma periodicidade quinzenal.
Os episódios serão publicados à quarta-feira, de duas em duas semanas, no site do Público e nas aplicações de podcast. A estreia está marcada para o dia 21 de Janeiro.
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Ser pai ou mãe nunca foi simples, mas no século XXI, a tarefa tornou-se ainda mais desafiante. As redes sociais não só impõem padrões irreais como bombardeiam os pais com regras contraditórias, produtos "essenciais" e julgamentos constantes. Educar filhos tornou-se um exercício de equilíbrio que muitas vezes leva os pais à exaustão.
O burnout, um distúrbio causado por exaustão física, emocional e mental, tem sido cada vez mais estudado no contexto da parentalidade.
Segundo dados recolhidos em 2021-2022 por investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, 8% dos pais portugueses sentem sintomas de burnout de forma muito frequente. O valor quadruplicou face a uma outra recolha feita em 2018 (1,8%).
Mas como é que ser pai e mãe, uma tarefa que a espécie humana assegura há milhares e milhares de anos, se tornou uma experiência tão avassaladora para a nossa saúde mental? E como é que podemos garantir que sobrevivemos a ela da forma mais saudável possível?
No último episódio da temporada de #ComoAssim, conversamos com pais e psicólogos sobre como sobreviver aos desafios da parentalidade no século XXI. Ouvimos Maria Inês Mano, criadora de conteúdos sobre maternidade, Carolina Vieira, influenciadora de viagens na página Mochileiros VC, mas também psicólogas especialistas em burnout parental: Marisa Matias, Isabelle Roskam e Moïra Mikolajczak.
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A era aplicações de encontros estará a chegar ao fim? Em Maio, um inquérito da Forbes Health a mil utilizadores norte-americanos concluiu que grande parte da Geração Z está cansada das aplicações de encontros. A dificuldade em encontrar uma boa ligação nas aplicações é apontada como a maior explicação para o cansaço.
O fenómeno verifica-se também no negócio: desde que entrou na bolsa, em 2021, até agora, o valor das acções do Bumble caiu 92%. Já a Match Group, a empresa dona do Tinder e de outras apps de encontros, caiu cerca de 80% desde a mesma altura.
Mas há alternativas a este género de aplicações a reunir cada vez mais interessados: grupos de corrida ou caminhada especiais para solteiros, festas exclusivas, jantares de grupo para desconhecidos ou até mesmo aplicações “normais” que são utilizadas para conhecer pessoas.
Há ofertas para todos os gostos, mas a promessa é a mesma: ajudar-nos a criar ligações reais a começar no mundo real.
Mas de onde vem este cansaço à volta das aplicações de encontros? Estaremos a voltar, de vez, à forma analógica de conhecer pessoas?
Neste episódio de #ComoAssim, participamos num dos jantares que todas as semanas juntam estranhos à mesma mesa na cidade do Porto. Ouvimos também Rita Sepúlveda, autora do livro Swipe, Match, Date, um homem que caminha para o seu quinquagésimo jantar com desconhecidos e a psicóloga Luana Cunha Ferreira, terapeuta familiar e professora na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.
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Há quem encontre prazer no som de uma esponja a ser espremida ou no brilho de um chão acabado de lavar. Outros deliciam-se com o antes e depois de espaços desorganizados que se transformam em lugares imaculados. Despensas normais transformam-se numa espécie de loja de snacks – espaços dignos de figurar num catálogo.
Principalmente desde o início da pandemia de covid-19, o “Cleantok” explodiu, primeiro no TikTok e depois nas outras redes sociais. Com mais de 150 mil milhões de visualizações, esta comunidade viral tornou a limpeza e organização um fenómeno cultural. Tarefas banais como esfregar o chão ou organizar despensas tornaram-se cativantes.
Mas porque gostamos tanto de assistir a estes vídeos? E será que essa obsessão pela perfeição pode trazer mais stress do que tranquilidade?
Neste episódio do #ComoAssim, exploramos o mundo do “Cleantok”. Ouvimos Joana Tavares, criadora de conteúdos de limpeza e organização na página Joana at Home, os investigadores Alexandre Duarte e Patrícia Dias, especialistas em marketing e publicidade digital, e ainda o psicólogo e terapeuta cognitivo-comportamental Fernando Lima Magalhães.
Nos últimos anos, a limpeza deixou de ser apenas uma tarefa doméstica e tornou-se uma sensação online. No “Cleantok”, uma comunidade viral no TikTok com mais de 150 mil milhões de visualizações, vídeos que mostram o antes e o depois de espaços limpos, sons relaxantes e organização impecável conquistaram milhões de seguidores.
Este episódio do #ComoAssim mergulha no fenómeno que transformou uma actividade banal em conteúdo irresistível. Vamos entender por que razão esses vídeos são tão satisfatórios, ouvir especialistas sobre os impactos psicológicos e explorar os perigos por trás da obsessão pela casa perfeita. Afinal, o “Cleantok” é apenas entretenimento ou reflecte algo mais profundo sobre o nosso comportamento nas redes?
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Há pouco mais de uma década, o minimalismo invadiu os nossos ecrãs. Das redes sociais à televisão, uma ideia é repetida em todo o lado: menos é mais. O mote é “destralhar”: reduzir os nossos pertences e guardar apenas aquilo que nos traz real valor.
O estilo de vida baseia-se numa tendência anterior, vinda da moda, design e arquitectura, baseada em linhas rectas, simples, com tons neutros. O guarda-roupa cápsula, com peças neutras que combinem com todas as outras, é glorificado.
Mas, nos últimos anos, a tendência começou a desaparecer, para dar lugar exactamente ao oposto: a exuberância do maximalismo.
No TikTok, surge um vídeo a explicar como se veste uma “portuguese girlie”: “É tudo sobre combinar os padrões errados da forma certa.” Há quem recuse a identificação, mas dentro da comunidade da moda no Tiktok, a nova estética maximalista domina.
Mas como assim? Será esta tendência maximalista apenas mais um fenómeno passageiro das redes sociais? Ou será um indício de que o mundo está realmente a mudar e a tornar-se mais exuberante?
E se a mensagem do minimalismo era de consumo mais responsável, porque é que tão depressa como chegou desapareceu?
Neste episódio do podcast #ComoAssim, ouvimos Marie, artista e influencer mais conhecida pela página La Vie de Marie, e Maria João Martins, jornalista e historiadora de moda.
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No final da década passada, a Internet estava cheia de histórias de pessoas que tinham conseguido reformar-se mais cedo do que o normal. Bem mais cedo.
A maioria dos exemplos era norte-americana. Pessoas que viviam os primeiros anos de carreira de forma extremamente frugal, a poupar ao máximo, com o objectivo de aos 30, 40 anos, passarem a viver só do retorno dos seus investimentos.
A comunidade autodenominou-se FIRE: Financial Independence Retire Early – em português, “independência financeira, reforma antecipada”.
Mas mais recentemente começámos a assistir a uma tendência inversa: pessoas que atingiram o FIRE, que se reformaram muito cedo… e acabaram por se arrepender da decisão.
Mas como assim?! Agora que o FIRE está a produzir resultados, com cada vez mais jovens reformados, sobretudo nos Estados Unidos, porque é que o movimento está a esmorecer?
Neste episódio de #ComoAssim, mergulhamos nas contradições de uma das maiores modas financeiras da Internet.
Conversamos com Rita Piçarra, ex-directora financeira da Microsoft Portugal, que se reformou aos 44 anos, e com Inês Correia, influenciadora na área das finanças pessoais que durante anos lutou para atingir o FIRE, mas acabou por desistir do objectivo.
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No último episódio de #ComoAssim, visitámos o retiro Diana Gathering, em Mação, organizado por Rute Caldeira e Tiago Farraia, um casal de professores de ioga e meditação. O encontro incluiu práticas como ioga, meditação, soundhealing e uma cerimónia de cacau, típicas de um universo espiritual que atrai cada vez mais seguidores: o movimento Nova Era.
Mas, além das práticas de bem-estar, neste movimento cresce também uma tendência inquietante: a rejeição da ciência moderna.
Entre meditações e rituais, é comum, no movimento Nova Era, ouvir discursos de desconfiança em relação à medicina e à indústria farmacêutica, com muitos participantes a recusarem medicamentos, vacinas e diagnósticos médicos.
Ao longo do retiro que visitamos, ouvem-se expressões que fazem soar alarmes: “como é que há 5 mil anos já se sabia tanto sobre saúde e depois nada disto se sabe nos dias de hoje”; “nós temos a capacidade de ficar doentes, mas também temos a capacidade de nos curarmos”; "antes de tomares um antidepressivo, experimenta o cacau".
Ao promover práticas ditas naturais e alternativas, o movimento tende a rejeitar o conhecimento científico, ecoando um discurso de auto-suficiência onde a responsabilidade pela saúde recai apenas sobre o indivíduo.
Mas o que explica esta tendência do movimento Nova Era para diabolizar o progresso científico?
Neste episódio, partimos do exemplo da espiritualidade à volta do cacau – porque nos ajuda a perceber a maneira como funciona o movimento, de que forma bebe de outras culturas e as adapta debaixo deste chapéu de espiritualidades.
Através deste exemplo, olhamos para o elefante na sala: o discurso pseudocientífico que se instalou no movimento Nova Era e os riscos que pode trazer para a nossa saúde.
Para isso, ouvimos Armando Brito de Sá, especialista em medicina geral e familiar com particular interesse por promover a literacia científica, David Marçal, bioquímico, divulgador de ciência e autor do livro Pseudociência, Donizete Rodrigues, professor de Sociologia e Antropologia, e ainda Lucimara Rett, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a fazer um caminho espiritual na cosmovisão Maia.
Texto alterado às 17:20 do dia 13/11/2024, para clarificar a atribuição de citações.
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Nos últimos tempos parece ter havido uma espécie de milagre da multiplicação dos retiros espirituais: nas redes sociais, actrizes, cantoras e outros influenciadores digitais juntam-se a gurus espirituais, terapeutas e coaches para promover eventos em Bali, na Índia, nas Maldivas ou simplesmente em sítios remotos em Portugal.
Nos programas, planos de meditação, oga, banhos de som celestiais e práticas xamânicas. Há quem prometa momentos de transformação e cura, acabar com o stress e ansiedade, ajudar-nos a "renascer para a nossa mais incrível versão".
Por vezes são retiros caros, a ultrapassar os quatro mil euros. Mas tal como os livros e cursos destes gurus, esgotam muito facilmente.
Mas como assim? O que leva tanta gente a participar neste tipo de eventos? Do que estão à procura e o que encontram?
Para perceber isto, o #ComoAssim entrou num destes retiros. Neste episódio, visitou o "Dhyana Gathering", um retiro de quatro dias organizado em Mação, no centro do país, por Rute Caldeira e Tiago Farraia, um casal de professores de meditação e ioga.
Um retiro que contou também com convidados como Ângelo Surinder, terapeuta sonoro fundador da "Cosmic Gong", Shivani, coach espiritual que orienta cerimónias de cacau, e a cantora brasileira Tainá, que deu um concerto privado durante o retiro.
No primeiro de dois episódios sobre espiritualidade, procuramos também perceber o que explica o interesse cada vez maior, em Portugal, por espiritualidades importadas da Índia e de povos indígenas da América latina. E mergulhamos no movimento Nova Era, com a ajuda de Donizete Rodrigues, professor de Sociologia da Universidade da Beira Interior, e de Tiago Pinto, investigador da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Áudio alterado às 17:28 do dia 13/11/2024, com correção sobre a meditação orientada no retiro, que não é da autoria de Osho, mas popularizada por ele
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Neste episódio de #ComoAssim, mergulhamos no lado negro da obsessão com a produtividade nas redes sociais.
O mundo da produtividade nas redes sociais tenta responder a um problema real da nossa sociedade: vivemos num mundo cada vez mais competitivo e frenético. Queremos fazer mais e melhor, subir na carreira mais rápido, experimentar começar aquele projecto com que sempre sonhámos.
Mas às vezes, encaixar tudo o que queremos fazer em 24 horas é um desafio. Há os imprevistos, o cansaço, a terrível preguiça e a procrastinação.
Os gurus da produtividade estão cá para nos ajudar a resolver tudo isso. Para trazer finalmente organização às nossas vidas. Para optimizá-las, com ferramentas e rotinas "super-humanas".
Mas há um lado perverso em tudo isto: não só não funciona, como pode ser perigoso para a nossa saúde mental. São os próprios gurus da produtividade a admiti-lo.
Neste episódio de #ComoAssim, ouvimos a youtuber Mariana Vieira, uma portuguesa bem conhecida no ecossistema internacional da produtividade no Youtube, que tem aprendido muito, à custa da própria saúde mental.
Ouvimos também o que a psicologia e a sociologia nos dizem sobre a distância entre a produtividade e o burnout, com a psicóloga Tânia Gaspar, coordenadora do Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis e a socióloga Ana Paula Marques, investigadora da Universidade do Minho.
Há três anos que Lucas Rodrigues, 23 anos, se dedica a cumprir desejos de pessoas anónimas, e a documentar tudo em vídeos nas redes sociais.
Apesar de ser um projecto recente, os números não o deixam adivinhar: a página "Lucas with Strangers" tem mais de dois milhões de seguidores no Tiktok e mais de 500 mil no Instagram.
No início oferecia apenas abraços e sorrisos, mas hoje oferece malas com 20 mil euros em dinheiro ou casas a quem não as tem..
Em Portugal, são poucos os influenciadores com a dimensão do Lucas nas redes sociais. Mas o português não é caso único a fazer sucesso com este género de conteúdos.
Um pouco por toda a internet, encontramos bons samaritanos, cheios de notas, a procurar mudar vidas de pessoas aleatórias na rua.
Mas o que é que o sucesso estrondoso que têm diz sobre nós e sobre a maneira como olhamos para os outros? Será que as redes sociais podem mudar a forma como lidamos com as desigualdades sociais?
No primeiro episódio da segunda temporada de #ComoAssim, procuramos respostas.
Na última temporada, o podcast olhou para fenómenos da cultura pop mais clássicos, para os livros, filmes e séries que consumimos.
Mas em 2024, segundo um estudo global da norte-americana GWI, passamos em média 6 horas e 40 minutos por dia a olhar para ecrãs. Por isso, nesta temporada, olhamos para aquilo que consumimos online, quando navegamos nas redes sociais. Para os loops e bolhas em que entramos sem darmos por ela. E como tudo isso nos está a mudar.
Na última temporada de #ComoAssim, olhámos para fenómenos da cultura pop clássicos: para as nossas obsessões colectivas com livros, filmes e séries.
Mas em 2024, segundo um estudo global da norte-americana GWI, passamos em média 6 horas e 40 minutos por dia a olhar para ecrãs.
Por isso, na segunda temporada, o #ComoAssim olha para aquilo que consumimos online, quando navegamos nas redes sociais. Os loops e bolhas em que entramos sem darmos por ela. E como tudo isso nos está a mudar.
Rotinas produtivas que prometem ser “super-humanas”; pais que estão exaustos, a tentar cumprir todas as exigências; um milagre da multiplicação dos retiros espirituais a acontecer à nossa frente; influencers que dão casas e malas cheias de dinheiro a pessoas necessitadas; pessoas que “penduram as botas” de trabalho aos 40. E muito mais.
Como sempre, mergulhamos nestes mundos com genuína curiosidade, para ir além das ideias pré-concebidas.
#ComoAssim, com a jornalista Inês Rocha, às quintas-feiras, depois das 16h, no PÚBLICO ou nas aplicações de podcast. Estreia dia 10 de Outubro.