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Roberto Martínez anunciou ontem os 27 jogadores da selecção portuguesa que vai disputar o Mundial de Futebol no Canadá, México e EUA. A lista de convocados do seleccionador português não é surpreendente, mas a verdade é que qualquer escolha que fizesse seria alvo de discussão.
Foi isso que Martínez fez na conferência de imprensa de ontem: detalhar os motivos que o levaram a escolher Gonçalo Guedes e não Paulinho, a escolher Samu Costa no lugar de João Palhinha e porque é que Ricardo Horta, Rodrigo Mora ou Pedro Gonçalves ficaram de fora.
O Mundial de Futebol começa já a 11 de Junho, no estádio Azteca, na cidade do México, e termina a 19 de Julho.
Martínez afasta qualquer favoritismo e acrescenta que só uma selecção que ganhou um Mundial pode ser favorita. No fundo, Portugal pode ser um candidato, mas não um favorito. Sobre o seu futuro, diz estar alinhado com a federação de futebol.
Nuno Sousa, editor de Desporto e editor-executivo do PÚBLICO, é o convidado deste episódio.
O El Niño é um fenómeno natural, frequente há cerca de cinco mil anos. A sua sobreposição a um planeta a escaldar aumenta a probabilidade de batermos recordes de temperatura global. E sabemos que muitos dos anos mais quentes coincidiram com El Niños de maior intensidade.
Previsões recentes indicam que o El Niño em desenvolvimento no oceano Pacífico tropical poderá ser dos mais fortes já registados e alertam para temperaturas globais recordes. Dados recentes mostram que partes do Pacífico aqueceram rapidamente, com a temperatura da superfície do mar até cerca de 0,5 graus Celsius acima do normal.
Fenómenos meteorológicos extremos, devido às alterações climáticas, em conjugação com os impactos crescentes do El Niño em desenvolvimento, poderão fazer com que ocorram, neste ano, incêndios globais e fenómenos meteorológicos sem precedentes.
Quanto a Portugal, podemos estar a salvo do fenómeno, mas não das alterações climáticas e de fogos de grandes dimensões.
Andrea Cunha Freitas, jornalista da secção do Azul, do PÚBLICO, e que assina na edição de hoje três artigos sobre o tema, é a convidada deste episódio.
Na edição de hoje, o PÚBLICO traz um trabalho que nos dá conta da corrida aos novos fármacos injectáveis que reduzem a obesidade, que chegaram a Portugal em Novembro de 2024 e, se exigem receita médica, não são comparticipadas. Ainda assim, no ano em curso, os portugueses compram mais de 2300 caixas desses medicamentos e gastam 613 mil euros todos os dias. Em todo o ano passado, foram compradas mais de 500 mil embalagens e foram gastos 130 milhões de euros. Ou seja, o consumo destes fármacos inovadores está a disparar.
Como em Portugal 15,9% da população sofre de obesidade, a comparticipação de medicamentos a tanta gente seria difícil de sustentar. E mesmo um cálculo para 170 mil pessoas com a taxa máxima de comparticipação, 90%, obrigaria o Estado a desembolsar mais de 900 milhões de euros por ano. Ou seja, quase metade de toda a despesa pública com medicamentos.
Se a obesidade é, na avaliação da Organização Mundial da Saúde, a pandemia do século XXI, que papel deve ter o estado no seu combate? É aceitável que, no quadro actual, só as pessoas com rendimentos médios e altos possam aceder à nova geração de medicamentos contra a obesidade? E estarão estes novos fármacos injectáveis a ser prescritos apenas a pessoas obesas ou estará também em curso o seu uso generalizado por parte de pessoas que, simplesmente, querem emagrecer?
Oportunidade para falarmos com Gina Pereira, autora dos textos que hoje estão acessíveis nas edições impressas e online do PÚBLICO. A Gina é editora da Sociedade do jornal.
Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, é uma mulher de convicções. Na sua entrevista ao Jornal de Notícias, esta semana, voltou a defender as medidas da reforma da lei laboral que assinou. Essas medidas, diz a ministra, auguram um admirável mundo novo na produtividade da economia e na melhoria dos salários.
Não interessa aqui discutir se a ministra tem razão na crítica que faz a uma alegada rigidez da actual lei. Nem interessa saber se tem ou não razões fundamentadas para acreditar nas virtudes da sua mudança. O que interessa é responder à questão crucial: neste formato, a lei tem condições para ser aprovada na Assembleia da República?
Com o PS e o Chega a exigirem condições prévias para negociar e viabilizar a lei, o que nos diz a versão ontem aprovada em Conselho de Ministros depois de nove meses de negociações com os parceiros sociais que acabaram em fracasso? No essencial, uma coisa muito importante: o Governo mandou para o caixote do lixo os avanços que tinham sido feitos nessas negociações. E em especial, as questões mais polémicas do seu anteprojecto: a reintegração de trabalhadores despedidos sem justa causa, o outsourcing, o banco de horas, embora aqui com novidades em favor dos trabalhadores, ou a duração dos contratos com e sem termo certo.
Dizer que há 50 medidas novas face à versão inicial do anteprojecto de lei, das quais 12 são da UGT, quer por isso dizer pouco. Aceitar medidas inócuas e manter as que suscitam polémica não augura nada de bom para o futuro. O impasse ou o chumbo são mais prováveis.
Se não for pela antecipação da idade de reforma, uma condição que Ventura colocou em cima da mesa antes de perceber a irresponsabilidade desta medida, o Chega talvez encontre nos dias de férias ou noutro expediente maneira de viabilizar a lei. Já para o PS, aceitar o despedimento de um trabalhador mesmo que o tribunal considere esse despedimento ilícito, seria um suicídio.
O que poderá então vir a acontecer nos próximos passos? O Governo pode ainda recuar para viabilizar uma negociação com o PS? Ou quererá manter a relação preferencial com o Chega?
Temas para a conversa com a jornalista do PÚBLICO Raquel Martins. A Raquel integra a equipa da Economia e acompanha há anos as questões laborais.
Donald Trump adiou a visita à China por causa da guerra do Irão, mas aterrou, em Pequim, num momento em que a guerra está numa zona cinzenta, que nem é de guerra, nem é de paz. Irão, Taiwan e inteligência artificial deverão ser os temas principais desta visita de dois dias do presidente dos EUA à China.
Há vários negócios em perspectiva e muitas discordâncias previsíveis. Os EUA querem vender Boeings, mas o sector automóvel quer travar a entrada das viaturas eléctricas chinesas no mercado norte-americano.
Trump não deve estar satisfeito com o agravamento do défice comercial com a China, em Abril. As exportações chinesas cresceram 14,1%, em termos homólogos. O prolongamento da guerra com o Irão tem pressionado os preços da energia e o custo de vida: a inflacção saltou para os 3,8% em Abril, o maior aumento desde 2023, o que levou Trump a prometer suspender, temporariamente, o imposto federal sobre os preços da gasolina.
E também não deve estar satisfeito com as sondagens: a sua popularidade nunca foi tão baixa, nem no primeiro mandato.
Trump estará acompanhado por empresários como Elon Musk e Tim Cook. Vamos assistir a uma nova guerra comercial ou a uma fase de tréguas entre as duas potências?
Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, é a convidada deste episódio.
O Presidente da República promulgou, finalmente, o pacote fiscal para a habitação, com o qual o Governo pretende responder aos problemas de habitação do país.
Anunciadas há vários meses, estas mudanças apostam, sobretudo, na redução de impostos para incentivar a construção e o arrendamento a preços considerados “moderados”.
Entre elas, estão a redução do IVA, para uma taxa de 6%, nas obras de construção de habitação que seja vendida por um preço máximo de 660 mil euros ou arrendada até 2300 euros, bem como a diminuição do IRS, para uma taxa de 10%, sobre os rendimentos prediais que sejam obtidos por via de rendas até esse mesmo valor de 2300 euros.
É com base nestes limites que o Estado oferece benefícios fiscais a proprietários e investidores, ao mesmo tempo que aumenta ligeiramente as deduções para inquilinos. O mercado de arrendamento está a crescer e as rendas a aumentar.
A grande questão é se este modelo, centrado no desagravamento fiscal, será suficiente para travar a subida dos preços e aumentar a oferta — ou se, pelo contrário, os efeitos vão ficar longe do impacto prometido.
É isso que vamos discutir hoje com nosso convidado de hoje, Luís Mendes, geógrafo do IGOT, da Universidade de Lisboa, e vice-presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses.
Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, recusa demitir-se e garante que vai enfrentar “qualquer disputa pela liderança” do Partido Trabalhista.
Ontem, num discurso para rebater a pressão de que tem sido alvo, Starmer arregaçou as mangas e garantiu que não vai “virar as costas”, porque a mudança de líderes tem “um grande custo para o país”.
O Labour foi o grande derrotado nas eleições autárquicas, em Inglaterra, onde perdeu 1500 vereadores, e nas legislativas, na Escócia e no País de Gales.
Starmer e o seu Governo têm sido penalizados pela crescente inflacção e o consequente elevado custo de vida e pelos efeitos da nomeação de Peter Mandelson para embaixador britânico nos EUA.
Nesta conjuntura, vários trabalhistas ameaçam a liderança de Starmer. Starmer tem tudo contra si. Até parte do partido. Porquê tanta impopularidade? O que é que explica a derrota do Partido Trabalhista?
Neste episódio, André Pereira Matos, professor da Universidade Aberta, onde co-coordena o Mestrado em Estudos sobre a Europa, fala sobre os resultados eleitorais no Reino Unido.
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Se nas últimas semanas tentou marcar uma viagem para Ponta Delgada ou para a Ilha Terceira ou dos Açores para o continente, é muito provável que tenha apanhado um susto. A prometida democratização do céu açoriano, fruto da liberalização do espaço aéreo em 2015, sofreu um revés profundo nas últimas semanas.
A saída da companhia área de baixo custo Ryanair do arquipélago lançou o alerta. Com menos oferta, os preços dispararam. A crise no Médio Oriente também não ajudou. Para quem visita as ilhas, os valores tornaram-se proibitivos. Para quem vive nas ilhas, o isolamento ganha outros contornos que nem as novas regras do subsídio de mobilidade parece conseguir corrigir.
Sejamos claros, a Ryanair só voava para os Açores porque o Governo regional lhe pagava. Num jogo constante entre quem dá mais, a companhia irlandesa de baixo custo preferiu outros destinos e abandonou as ilhas de São Miguel e a Terceira.
Agora, para voar entre os Açores e o continente só através da TAP ou da SATA, ambas companhias públicas. Nenhuma preencheu o vazio deixado pela Ryanair e também não apareceu nenhum privado a querer cobrir estas rotas.
Entretanto, um sector turístico em crescendo nos últimos anos, percebe agora que nenhum crescimento é ilimitado. Há, por estes dias, alojamentos locais que não conseguem preencher as reservas, rent-a-car a funcionar meio gás e restaurantes quase sem turistas.
Hoje, vamos directos Ponta Delgada à boleia do correspondente do PÚBLICO nos Açores, Rui Pedro Paiva.
Um grupo de investigadores, entre os quais dois portugueses, desenvolveram um estudo internacional sobre a forma como a inteligência artificial distorce a aprendizagem da história. Neste estudo, os investigadores analisaram 3500 interacções com LLMs, sistemas de inteligência artificial capazes de entender, gerar, resumir ou traduzir texto de maneira semelhante a um humano, como é o caso do ChatGPT.
A intenção era saber o que é que estes modelos de linguagem afirmavam sobre quatro conflitos internacionais e em sete línguas diferentes.
No caso da Guerra Colonial, os chats de inteligência artificial inventam batalhas ou aludem a documentários inexistentes, situam a operação Nó Górdio, em Moçambique, em 1964, em vez de 1970, ou omitem a independência da Guiné-Bissau, em 1974.
Estes modelos de linguagem também cometem imprecisões ou erros profundos quando se trata da guerra do Vietname, das guerras na origem da desintegração da Jugoslávia ou do conflito israelo-palestiniano.
Face a conteúdo fabricado e a distorções cronológicas, dois dos investigadores que integram o grupo pedem medidas urgentes ao Governo e ao Parlamento portugueses. É com Nuno Moniz, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, e Miguel Cardina, do Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra, que vamos falar neste episódio.
O navio suspeito de ser um foco de hantavírus deverá chegar, nos próximos dias, ao porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias. Mónica García, ministra da Saúde da Espanha, disse que os 14 passageiros de nacionalidade espanhola serão transferidos de avião para um hospital militar em Madrid, onde irão cumprir quarentena, e que os restantes serão repatriados para os países de origem.
O líder regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, opõe-se a este plano e pediu uma “reunião urgente” com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez.
Até o dia de ontem, 6 de Maio, foram identificados oito casos de hantavírus, que já causou a morte de três passageiros. Segundo a OMS, o mais provável é que a infecção de hantavírus tenha ocorrido fora do cruzeiro onde se declarou o surto.
Os hantavírus são um conjunto alargado de vírus predominantes em roedores, mas que podem infectar humanos. É sobre estes vírus e as suas consequências que vamos falar com Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciência do PÚBLICO.
A crise na relação com os Estados Unidos, e os seus reflexos na NATO, e o regresso da guerra à Europa, com o ataque da Rússia à Ucrânia, emitiram sinais de alarme sobre a fragilidade da defesa europeia. Em todos os governos da Europa, a questão militar ganhou uma visibilidade esquecida desde os tempos da guerra fria.
Mas melhorar salários e responder à natureza da profissão militar é pouco. O efectivo das forças armadas aumentou ligeiramente, mas não o suficiente. Não há assim tantos voluntários como os que seria necessário. O Governo lançou um plano para chegar aos 27 mil militares em 2030, mas nem isso chega. É então que surge o anúncio do programa Defender Portugal, destinado aos jovens de 18 a 23 anos, com uma duração prevista entre três e seis semanas em regime de voluntariado, com um pagamento de 439 euros e a oferta da carta de condução. Objectivo, suscitar a atenção e atrair mais jovens para as forças armadas.
Será isto suficiente para reequilibrar os défices de pessoal dos três ramos das forças armadas? Oportunidade para falarmos com o general Pinto Ramalho, um militar da arma da artilharia com um longo currículo e a participação em vários cursos em Portugal e no estrangeiro. Foi adjunto e chefe de gabinete de ministros da defesa, Chefe do Estado-Maior do Comando Operacional das Forças Terrestres (1996-1997), Director-Geral de Política de Defesa Nacional do Ministério da Defesa Nacional (2001-2004), Director do Instituto de Altos Estudos Militares (2004-2005) e do Instituto de Estudos Superiores Militares (2005-2006). Foi ainda Chefe do Estado-Maior do Exército entre 2006 e 2011.
Num encontro com estudantes, o chanceler alemão, Friedrich Merz afirmou que “Uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança do Irão, especialmente pelos chamados Guardas da Revolução”. A nação é a americana, a arma dos iranianos é a astúcia e o grande problema é não haver na administração Trump um plano de saída do conflito, disse o chanceler. A resposta não se fez esperar. Trump acusou Merz de não ser capaz de “arranjar o seu país”, especialmente no que diz respeito à “imigração e à energia” e de ser “totalmente ineficaz” no que toca à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ao seu estilo vingativo, Trump afirmou que a América vai taxar os carros europeus em 25% e promete retirar mais de cinco mil soldados estacionados na Alemanha.
Merz não pode ser acusado de ser agressivo. Ao longo do seu mandato, fez parte do coro europeu do apaziguamento até quando Donald Trump agia como provocador de serviço. Voltou a mostrar o mesmo tom. Mas lá foi dizendo que a guerra no Irão deve acabar e que a Europa está a pagar por um erro que não cometeu. Estará em curso a transformação de Merz num líder mais assertivo e condizente com o papel que a Alemanha representa na Europa e no mundo?
Vale a pena olhar para o personagem e indagar se está em curso uma mudança, ou melhor, que mudança está a acontecer em Berlim. Depois de prometer criar o maior exército convencional na Europa, chegando até a enterrar o sacrossanto compromisso com o défice para elevar a despesa militar para 86 mil milhões de euros este ano, Merz continua a ser uma voz empenhada e activa na redefinição do papel da Europa num mundo com a parceria transatlântica esfrangalhada.
Apesar de o seu poder ser trémulo no plano interno, com taxas de aprovação popular baixas e perspectivas sombrias para as eleições estaduais deste ano, Merz está a retirar Berlim e a Alemanha da condição de parceiro envergonhado e a falar cada vez mais alto, embora sempre em articulação com os parceiros europeus. Será este conflito verbal com Trump uma prova dessa nova atitude mais afirmativa da Alemanha? Estará a Alemanha pronta para interpretar o sentimento geral dos europeus em relação a Trump e a seguir o discurso desafiante do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.
Oportunidade para falarmos com Mónica Dias, Doutorada em Ciência Política e Relações Internacionais e Directora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. No seu longo currículo académico consta a docência na Universidade alemã de Colónia.
As refeições servidas aos alunos nas escolas portuguesas têm originado várias discussões nos últimos meses. Para começar com o caso da escola dos Salesianos, em Março, quando se soube que os alunos que pagam mensalidades tinham acesso a comida diferente dos que frequentam a escola com o apoio financeiro do Estado. Ou com um estudo da Universidade do Minho, do mesmo mês, segundo o qual 64% dos municípios portugueses se queixavam que as verbas do Ministério para refeições escolares só davam para pagar 80% do seu custo efectivo. Ou, ainda no mesmo mês, com uma nota da Ordem dos Nutricionistas, que alertava para a impossibilidade de se garantir uma dieta equilibrada aos alunos com os 2,99 euros que o Estado paga por cada refeição.
Na sequência da polémica dos Salesianos e do alerta do estudo da Universidade do Minho, o ministro da Educação, Fernando Alexandre disse, como ouvimos no registo do início deste episódio do P24, que o Governo estava a estudar o problema. No início do próximo ano lectivo, disse o ministro, talvez haja novidades sobre o valor que o Estado paga pelas refeições escolares. Mas, entretanto, há um dado novo que vai certamente entrar na discussão: as conclusões de um relatório europeu que recomenda aos Estados Membros refeições gratuitas para todos os alunos, e não apenas para os mais carenciados, como acontece em Portugal.
Sabendo-se que entre nós há crianças que só comem uma refeição quente por dia, a que lhes é dada na escola, o tema das cantinas, da qualidade ou da apresentação da comida que lá é fornecida merece uma profunda discussão. Se é a escola é a principal rede de garantia para que todas as crianças tenham uma efectiva igualdade de oportunidades, procurar novas soluções, ou recursos para a condição básica dessa igualdade, a alimentação, é fundamental. Avaliar e discutir as conclusões desse relatório é, por isso, um bom passo para se repensar o que os nossos alunos comem, como comem e que papel tem de ter o Estado na garantia de que os mais carenciados não são prejudicados pelas restrições financeiras do ministério.
O nosso episódio de hoje tem como objectivo acrescentar ingredientes a este debate. Para o efeito, convidámos a jornalista Patrícia Carvalho, da secção de sociedade do PÚBLICO, que assina hoje dois textos no jornal onde se explicam e contextualizam os eixos essenciais deste relatório europeu.
O Governo vai criar um fundo de catástrofes naturais e sísmicas para ajudar quem não conseguir pagar um seguro obrigatório para a habitação. Esta proposta faz parte do plano final do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), que prevê um investimento de 22,6 mil milhões de euros, para fazer face às consequências dos elevados prejuízos causados pelas tempestades, com destaque para a Kristin.
A medida foi bem recebida pela Associação Portuguesa de Seguradores. O seu presidente, José Galamba de Oliveira, elogiou este seguro obrigatório, que será também exigido para instalações das empresas, apoiado por um mecanismo para garantir o seu acesso universal.
Mas o presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Luís Menezes Leitão, considera que um fundo de catástrofes naturais e sísmicas associadas a um seguro deste género é “escandaloso”.
No parlamento, a IL, PCP e BE dizem que o Governo está a fazer propaganda e o Livre elogiou a ideia de criar uma agência temporária para coordenar a execução do plano. O Chega diz que este programa é “marketing”. Faz sentido que o seguro de habitação seja obrigatório?
É o que vamos perguntar ao convidado deste episódio, Paulo Fonseca, assessor jurídico da DECO e perito do Comité Económico e Social Europeu.
Numa recente intervenção no programa da CNN Portugal "O Princípio da Incerteza", Alexandra Leitão fez o resumo perfeito de uma polémica cujo desfecho terá enormes consequências nos próximos capítulos de uma democracia ameaçada pela suspeita tóxica dos extremismos. O que está em causa é simples: queremos uma democracia transparente, na qual quem tem o privilégio republicano de servir o país e os partidos que os representam está disposto a ser escrutinado? Ou, em nome de interesses ou opiniões pessoais, certamente legítimas, vamos deixar criar uma zona de sombra sobre questões importantes como as que nos permitem saber quem financiou os partidos?
Esta polémica tem uma história. Grave. Tudo começa quando alguns partidos e políticos comunicaram à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos que, não se opondo à fiscalização das suas contas, exigiam que o nome das pessoas que os financiam não fosse revelado. Em defesa do seu pedido, invocavam o famoso RGPD, o Regulamento Geral de Protecção de Dados. Perante esta exigência, a Entidade pediu esclarecimentos à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA). Que, num parecer burocrático, falho de ponderação e sem cuidar da proporcionalidade do conflito de direitos que está em causa, concordou com a ocultação. O caso soube-se quando um jornalista do Público procurou informações sobre financiadores de um partido e teve como resposta, um não.
A tentativa de ocultar os financiadores dos partidos mergulha a democracia num limbo propício à especulação e à suspeita – dois ingredientes preciosos para o discurso da extrema direita. E surge num contexto em que as dúvidas sobre a idoneidade dos políticos se agravam – uma situação perniciosa que o presidente da AR tentou expor de forma desastrada no seu discurso do 25 de Abril. Em especial porque sugere uma continuidade com as tentativas do primeiro-ministro em não revelar dados sobre a sua empresa Spinumviva.
Todos os partidos da oposição estão de acordo com a necessidade de legislar para garantir a transparência e bloquear o parecer da CADA. O PSD não se pronuncia, mas António Leitão Amaro já disse estar de acordo com o Presidente da República na defesa da transparência. O que está em causa é o comportamento sofrível de Portugal no Índice de Transparência Internacional (48ª posição entre 182 países). Ou a deficiente aplicação em Portugal das regras do Grupo de Estados contra a Corrupção (GRECO) que estão contempladas na Estratégia Nacional Anticorrupção 2025-2028. Arrastar os pés ou recuar na transparência, que consequência pode ter numa matéria tão sensível como o combate à corrupção? Que impacte pode ter esta polémica na percepção pública que degrada a imagem de Portugal à categoria de país corrupto? Oportunidade para conversar com José Fontão, sociólogo, director na área de Prevenção do Branqueamento de Capitais da PwC e líder da Transparência Internacional em Portugal.
Há dois meses, Israel e EUA bombardearam o Irão e iniciaram uma guerra com impacto em todo o mundo. O Irão propôs um acordo aos EUA para abrir o estreito de Ormuz e adiar a questão do nuclear para uma fase seguinte. Os EUA cancelaram a viagem de Witkoff e Kushner até ao Paquistão. Quem terá mais pressa em chegar a um acordo?
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, esteve no Paquistão, em Omã e chegou ontem à Rússia. O regime não só se manteve como dá sinais de não estar isolado.
Após o cessar-fogo tenso de 8 de Abril, vivemos numa “paz armada”. A ascensão de Mojtaba Khamenei ao poder em Teerão radicalizou o regime iraniana, que manteve o Estreito de Ormuz bloqueado e a economia mundial refém. No terreno, as forças israelitas consolidaram a ocupação do sul do Líbano até o Rio Litani.
As estimativas indicam que o conflito já envolveu mais de 5 mil mortos em dez países, com o Irão e o Líbano a concentrarem o maior número de vítimas civis e militares. Além disso, a ONU alerta para uma crise de deslocamentos sem precedentes, com 4 milhões de pessoas obrigadas a abandonar suas casas.
Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, é o convidado deste episódio.
O PÚBLICO inicia hoje a publicação de uma série de trabalhos chamada Filhos da migração sul-asiática, histórias para lá dos números, da autoria da jornalista Joana Gorjão Henriques.
Nestas reportagens, vamos ouvir jovens da Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão, que vivem em Portugal. Não são retratos de comunidades, nem estatísticas sobre imigração. São histórias individuais que ajudam a compreender a vida para lá dos números.
Vindos de quatro países política e historicamente distintos, estes jovens partilham um território de origem comum (o Sul da Ásia) e experiências semelhantes no país de acolhimento. Pertencem a comunidades pouco estudadas, marcadas pelo desconhecimento e por vários estigmas.
Nos últimos anos, tornaram‑se mais visíveis no espaço público, sobretudo como alvo de campanhas políticas, discursos de ódio e ataques da extrema‑direita. Em contraste, permanecem largamente invisíveis nos lugares de poder e de decisão.
São comunidades fundamentais para a economia portuguesa, presentes em vários sectores da mão‑de‑obra. Ainda assim, pouco se sabe sobre o seu quotidiano, as suas escolhas e expectativas.
O primeiro episódio começa pela Índia, o país com a relação migratória mais antiga com Portugal e, hoje, a segunda maior comunidade imigrante residente no país.
A jornalista do PÚBLICO Joana Gorjão Henriques é a convidada deste episódio.
O secretariado nacional da UGT rejeitou ontem, e por unanimidade, a proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo. A central sindical diz que mantém abertura para continuar a negociar.
A ministra do Trabalho, que já tinha dado por finalizadas as negociações, convocou o que diz ser uma última reunião da Concertação Social, para o dia 7 de Maio, e quer que a central sindical apresente propostas.
Caso não seja possível um acordo, a ministra Maria do Rosário Palma Ramalho diz que o Governo vai encerrar, formalmente, nessa reunião, o processo negocial e que o Governo avançará para o parlamento.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu o esforço negocial do Governo, e salientou que houve consenso quanto a 138 alterações à legislação laboral. O PS falou em “simulacro de negociação” e a IL em “forças de bloqueio”.
A nossa convidada de hoje é Teresa Coelho Moreira, professora da Escola de Direito da Universidade do Minho e autora do Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho 2021.
Com uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas da Europa e uma Plataforma Continental em processo de extensão, a nossa identidade e o nosso futuro económico estão intrinsecamente ligados ao oceano que nos rodeia, o Atlântico. Mas como é que se gere este território invisível para a maioria de nós?
Hoje, no P24, falamos de "Governação Azul". O pretexto é a Conferência Cidade Azul, que decorre na Universidade Aveiro, e que coloca o foco no papel das cidades, da ciência e da diplomacia na protecção e exploração sustentável do oceano.
Neste episódio gravado ao vivo contamos com Luís Menezes Pinheiro, docente e investigador da Universidade de Aveiro, representante de Portugal na Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO e coordenador do Comité Nacional para a Década do Oceano.
Chama-se Bem-Estar, Saúde Psicológica e Comportamentos Aditivos, e é um estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, que procurou correlações entre os níveis de bem-estar e o consumo de substâncias psicoactivas e outros comportamentos aditivos entre os alunos do ensino público português entre os 13 e os 18 anos.
O estudo associa o sono insuficiente e sintomas de depressão, ansiedade e stress a uma maior probabilidade de consumos e comportamentos aditivos. Seis em cada dez estudantes não dormem o bastante para acordar descansados.
Entre as raparigas, os indicadores emocionais e o consumo recente de medicação psicoactiva sem prescrição geram mais preocupação. O relatório mostra ainda que, para lá do debate sobre o tempo de ecrã, a maior gravidade pode estar no álcool, nas drogas ilícitas e sobretudo em tranquilizantes, sedativos, analgésicos fortes e “drogas inteligentes” usadas para estudar.
Em paralelo, o suporte emocional parece ter enfraquecido após a pandemia: menos jovens sentem que conseguem desabafar com família e amigos, enquanto bullying e cyberbullying aparecem associados a mais riscos.
Há sinais positivos — mais desporto e mais convívio — mas a pergunta central mantém-se: estamos a responder ao sofrimento juvenil com prevenção e diálogo, ou com automedicação e silêncio?
A convidada deste episódio é Natália Faria, editora de Sociedade do PÚBLICO.